Na procura da Felicidade vou, passo a passo, até ao fim do arco-iris
Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008
Nunca mais aprendo!

Tenho uma maneira muita minha de olhar os outros. Sempre que alguém próximo, amigo ou familiar, tem um problema, ali estou eu a oferecer-me para ajudar. Se alguém me vem pedir auxilio não sei dizer não. Isso já me tem trazido alguns dissabores pois quem me conhece já sabe com o que pode contar e por vezes "aproveitam-se" da situação. Torna-se muitas vezes mais fácil obter a ajuda fácil de alguém do que fazer sacrifícios para resolver os próprios problemas. Quantas vezes ajudei desinteressadamente e depois vim a saber que a minha ajuda até não era necessária e acabou por servir outros propósitos!

Isto vem a propósito da situação que estou actualmente a viver.

Assim que a minha mãe saiu do Hospital prontifiquei-me logo a ajudar no que fosse necessário. Ela não pode fazer esforços, tem alguma dificuldade em dobrar-se e eu pensei logo na dificuldade que ela teria para se vestir todas as manhãs. Falei de imediato com a minha irmã e disse-lhe que se fosse necessário, pelo menos nos primeiros dias, eu iria de manhã ajudá-la a vestir-se. Claro que isso iria implicar que eu iria perder algumas horas no meu emprego. Apesar das minhas chefias me colocarem à vontade para o que eu necessitasse o que é certo é que acabo por acumular trabalho e sobrecarregar os meus colegas. Mas, é a minha mãe e estava acima de qualquer outro interesse.

Claro que a minha irmã concordou logo e disse que, como ela trabalha ali próximo e vai a casa à hora de almoço, daria depois uma ajuda com as refeições.

A minha mãe entretanto pediu-me que se eu ia lá de manhã então podia levar-lhe uns pãezinhos que ela gosta. E assim foi. No dia seguinte à saída do Hospital lá estava eu antes das 9h com uns pãezinhos que só estão prontos às 8:30h . Ajudei-a a vestir-se, preparei-lhe o pequeno-almoço, fiz-lhe a cama, estendi roupa, etc. Qual não é o meu espanto quando vejo a minha irmã entrar em casa da minha mãe (moram as duas no mesmo prédio). E pensei cá para mim: "ela hoje atrasou-se!".

No dia seguinte lá voltei, com almoço pronto para a minha mãe e com os tais pãezinhos. De novo chegou a minha irmã: "bem, atrasos dois dias seguidos?".

Mais tarde, ao falar com a minha sobrinha no momento em que estava a chegar ao Banco (quase meio-dia) ela ficou espantada por eu estar a ir de manhã vestir a minha mãe. Disse-me: "então porque é que vais lá de manhã? A minha mãe só entra às 9:30h e trabalha ali a 5 minutos de casa! Porque é que não fica ela a ajudar?"

Fiquei sem palavras! Serei mesmo parva? Com esta vontade de ajudar acabo por me prejudicar fazendo sacrifícios desnecessários?

Pior fiquei ainda à noite, quando fui levar o jantar da minha mãe e ver se necessitava de alguma coisa. Quando lhe perguntei se no dia seguinte podia acordar um pouco mais cedo pois precisava de chegar mais cedo ao Banco a minha mãe respondeu: "então traz só os pãezinhos porque a tua irmã só entra às 9:30h e pode me ajudar a vestir". Perguntei eu: "isso significa que eu vou chegar tarde ao Banco só por causa dos pãezinhos?"  Sim, porque parece que a minha irmã lhe levava o pão todas as manhãs! Só que este é mais gostoso! Afinal eu não era necessária!

Confesso que fiquei um pouco magoada. Não tanto com a minha mãe. É que se eu estivesse no lugar da minha irmã e tivesse um horário como o dela tinha dito: "não precisas de chegar mais tarde pois eu posso fazer isso. Ajudas com qualquer outra coisa"

Senti-me mais uma vez uma tonta, não tanto por querer ajudar os outros pois isso eu não consigo reprimir, mas por ter continuado mesmo depois de ver que havia outra solução, por mais uma vez não ter conseguido impôr-me, por mais uma vez não ter conseguido bater o pé. Dizer "não" às vezes é tão difícil!

Mas sinto-me em paz com a minha consciência.


estou: furiosa mas em paz comigo

publicado por nofimdoarcoiris às 13:10
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10 comentários:
De guiga a 29 de Fevereiro de 2008 às 15:45
É muito importante que te sintas em paz com a tua consciência. Mas, não deixes que te façam de parva. Cada vez mais tenho consciência de que quanto mais fazemos, quanto mais prestáveis somos, mais apelidadas somos de interesseiras! Acredita no que te digo!
Beijinho e bom fim-de-semana! *.*


De nofimdoarcoiris a 29 de Fevereiro de 2008 às 16:09
Às vezes sinto-me mesmo parva. Mas é como dizes. O importante é que tenho a consciência de que fiz o que achava bem!
Um óptimo fim-de-semana cheio de . Beijinhos


De Milena a 29 de Fevereiro de 2008 às 17:34
Olá!
Sei bem, e detesto sentir quando fazemos papel de parvas. Mas como agimos de boa fé, só nos apercebemos disso mais tarde, resta-nos o consolo de que ficamos de consciência tranquila, mas não nos sentimos nada bem ... lá isso não!
Beijinho de bom fim de semana!


De nofimdoarcoiris a 4 de Março de 2008 às 14:12
Pelo menos fiz o que a minha consciência me disse.
Bjs


De Migas a 29 de Fevereiro de 2008 às 18:23
Deixa lá!
O que interessa é que fizeste o que achaste certo, que te preocupaste com a tua mãe e que mostraste ter um grande coração. O egoismo dos outros fica para eles.
Mas eu tinha uma conversinha de "pé d'orelha" com a minha irmã... a ver se ela enfiava o barrete e percebia. Bate o pé quando for preciso!
Beijos


De nofimdoarcoiris a 4 de Março de 2008 às 14:14
Na altura reagi porque senti uma fúria dentro de mim. Mas fiquei com a impressão que o efeito foi nulo.
Bjs


De encontros-a-lareira a 1 de Março de 2008 às 15:11
Isso é amor... :)


De nofimdoarcoiris a 4 de Março de 2008 às 14:16
Acima de tudo...


De cigana a 3 de Março de 2008 às 23:49
Quando sofremos do impulso de ter sempre boa vontade, acabamos por sentir que fizémos figuras de parvos e que é isso que os outros acham de nós...


De nofimdoarcoiris a 4 de Março de 2008 às 14:19
Fazemos de parvos e prejudicamos a nossa vida...


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