Na procura da Felicidade vou, passo a passo, até ao fim do arco-iris
Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007
O Natal da minha infância

Ao escrever o meu post de ontem o último item fez-me recordar com alguma intensidade os dias de Natal da minha infância.

Quando eu era criança na minha casa utilizava-se a ideia de ser o Menino Jesus a deixar os presentes nos sapatinho que ficavam durante a Noite de Natal na chaminé. E eu acordava com uma ansiedade enorme de saber se Ele tinha ouvido as minhas orações. Seria eu merecedora de receber o que tanto ansiava? Não vão acreditar mas até aos 10 anos acreditei piamente que assim era (que inocência). Nessa altura não existiam tantos anúncios na TV com brinquedos e bonecos e os meus desejos não eram muito sofisticados. Bastava-me uma pequena boneca, um ferro de engomar ou um livro para ficar contente. Não fazia uma lista enorme como vejo agora fazer.

Na minha casa o dinheiro não abundava e o Natal era feito de uma maneira simples mas bonita. Vivia-se o Natal de uma maneira mais profunda.

Na véspera de Natal, durante a tarde, ficavamos na cozinha a fazer os doces. Esta era a parte que eu menos gostava porque nunca gostei de passar muito tempo na cozinha e, apesar de ser criança, também me cabiam algumas tarefas. Jantavamos sempre tarde e durante aquele dia não se comia carne. A minha mãe dizia sempre "quem come carne à sexta-feira ou na véspera de Natal ou é besta ou animal". Perto da meia-noite íamos à igreja assistir à Missa do Galo. Havia sempre um cerimonial do qual eu gostava imenso que era beijar o Menino Jesus. E eu beijava-o de uma forma sentida como se fosse uma última súplica para que ele não se esquecesse de mim!

Quando regressávamos a casa o meu pai ia de imediato para a cozinha para grelhar umas bifanas. Era a nossa ceia, juntamente com umas ameixas secas, figos, passas, etc. Conversávamos e ríamos. O meu pai tinha sempre algo de engraçado para nos contar e para nos pôr bem dispostos. Deitava-me tarde e adormecia de imediato para ver se o outro dia aparecia mais rápido. Mas antes ia colocar o meu sapato junto à chaminé. Estava ansiosa para ver o que me calhava.

No dia seguinte mal acordava dirigia-me ao meu sapato e com agrado lá estava sempre um ou dois embrulhos. Podia não ser bem o que queria mas o Menino Jesus não se tinha esquecido de mim.

Houve um Natal que me marcou muito e que só mais tarde entendi o porquê do sucedido. Quando fomos ver os presentes apenas o meu sapato tinha um embrulho! Nem o da minha irmã, mais velha 9 anos. Os outros sapatos tinham laranjas, limões, batatas, etc. Explicaram-me que o Menino Jesus naquele ano só tinha tido tempo para os mais novos porque tinha tido outras preocupações. Para os mais velhos só tinha tido tempo para se preocupar com a alimentação. Fiquei triste e um pouco revoltada com o Menino Jesus. Preferia ter recebido o mesmo que os meus pais e a minha irmã. Percebi mais tarde que tinha sido um ano muito difícil para os meus pais e não puderam gastar mais tendo pensado apenas em mim.

Hoje em dia o Natal é diferente. As crianças apenas pensam no Pai Natal e não se deixam enganar até tão tarde como eu.

Mas há uma coisa que mantenho. Os presentes continuam a ser colocados à noite nos sapatinhos  e são vistos na manhã seguinte.

Agora passo a Noite de Natal na minha casa com a minha mãe, a minha irmã, o meu cunhado e as minhas sobrinhas( e claro, o marido e a filhota). Jantamos o tradicional bacalhau. Conversamos um pouco. Já não vamos à Missa do Galo. E depois vamos-nos deitar com a esperança de que o Menino Jesus se tenha lembrado de nós.


estou: no Natal outra vez

publicado por nofimdoarcoiris às 12:23
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