Na procura da Felicidade vou, passo a passo, até ao fim do arco-iris
Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
Desilusão

Sabia que um dia ia suceder. Ia descobrir que a minha filha não me conta tudo, o que é normal acontecer quando se tem 15 anos. Mas o que me doeu foi descobrir que ela arranja artimanhas para que eu não saiba de coisas com as quais não iria concordar. Não é propriamente mentir, mas está muito próximo.

Não tenho por hábito proibi-la de fazer isto ou aquilo. Digo-lha sim os prós e os contras para que quando faça algo tenha noção das consequências. Quero, acima de tudo, que ela se torne uma adulta responsável, que tome as decisões por ela e que saiba que tudo o que fizer tem consequências para ela e/ou para outros.

Não sou de ralhar, tento sempre conversar para que ela entenda o que está bem ou mal. Talvez uma ou outra vez me tenha excedido ou irritado um pouco, mas nada de mais.

Fui criada com muito rigor. Em tudo o que fazia, se fugia ao normal, havia censura. Tinha receio de pedir algo à minha mãe porque tinha a sensação que ela nem me ouvia. Aumentava logo o tom da voz e dizia logo que não. Evitava mesmo falar sobre o que os meus amigos faziam porque, se houvesse algo de mais reprovável, a companhia deles já não era aceite.

Por tudo isto inventei muitas histórias, menti muito, escondi e calei muita coisa. Mas era a única forma de ter uma vida normal para a minha idade.

Nunca quis o mesmo para a minha filha e sempre me congratulei por ela conversar muito comigo, por me contar o seu dia-a-dia sem problemas. Sentia que ela confiava em mim e eu nela.

Deparei agora com alguns sinais que me dizem que, afinal, ela não apenas omite algumas coisas, o que é compreensível, mas arranja maneira de eu não saber.

Da dissimulação à mentira faltarão quantos passos?

Pensei muito sobre isto, senti-me magoada. Deverei conversar com ela sobre este assunto? Irei piorar com isso a situação? Devo fazer de conta que não percebi e continuar atenta?

Por enquanto ainda não consegui concluir nada.


estou: Triste, insegura, desiludida

publicado por nofimdoarcoiris às 11:37
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13 comentários:
De Pegadas a 16 de Janeiro de 2008 às 13:18
Eu ainda só desempenho o papel de mão há 3 anos e meio, portanto ainda não passei por algo idêntico no papel de mãe. Mas já passei no papel de filha, pois por vezes tive de recorrer à mentira para poder ter um pouco mais de liberdade. Se calhar, a tua filha acha que se soubesses de tudo, irias discordar e impedi-la de fazer algo e daí as omissões. No meu entender, creio que o melhor a fazer é conversar com ela abertamente, quanto mais não seja para que tenha consciência de que a sua decisão de te omitir e dissimular certas coisas teve uma consequência: magoou-te profundamente. Quanto mais não seja, eu tentaria que ela percebesse que a omissão/dissimulação não é um bom caminho a seguir; é preferível assumirmos aquilo que queremos e fazemos para que os outros nos levem a sério e confiem em nós.
Desculpa se me alonguei... só espero ter ajudado um pouquinho a decidir o que fazer. Força!
Bjts**


De nofimdoarcoiris a 17 de Janeiro de 2008 às 11:29
Penso que foi isso que aconteceu. O caso não era grave e eu não a ia censurar. Talvez apenas lhe desse a minha opinião contrária à dela e, certamente, não lhe apeteceu ouvir. E tentou arranjar maneira de eu não saber. E foi isso que me doeu. Não ela ter feito algo que eu não concordava mas ter tentado que eu não soubesse.
Para já ela já percebeu que eu acabei por descobrir. E com calma vou falar com ela sobre o assunto. Sempre falámos bastante e quero continuar assim.
Um grande beijinho


De guiga a 16 de Janeiro de 2008 às 17:01
Se achas que o assunto é grave, sou da opinião de que deves falar com ela, dizer-lhe que te apercebeste dessa omissão e que não vês necessidade para que isso aconteça! Se estás habituada a conversar com ela, a ser amiga, vai em frente. Aliás, não fiques a remoer esse assunto, só estás a fazer mal à vossa relação!
Beijinhos! *.*


De nofimdoarcoiris a 17 de Janeiro de 2008 às 11:24
De facto o assunto não é grave, sofri mais pelo significado que teve para mim, por ir contra a minha expectativa, do que pela gravidade da situação.
De qualquer modo vou falar calmamente com ela, como faço habitualmente. Sempre tivemos uma relação aberta e faço questão em mante-la.
Beijinhos


De Migas a 16 de Janeiro de 2008 às 22:42
Eu acho que faz parte de crescer... todas nós numa ou outra altura omitimos, arranjámos esquemas, movemos céu e terra para que as nossas mães não descobrissem qualquer coisa. Dormíamos em casa das amigas, íamos passar tardes a casa da amiga que vivia do outro lado da cidade, inventávamos trabalhos de grupo, ficávamos horas ao telefone a magicar (porque não havia telemóvel nem net)... também passei por isso. Também acho que a minha mãe se deve ter sentido como tu te estás a sentir.
Mas, mesmo corendo o risco de ser mal interpretada, acho que ainda bem que é assim. Quer dizer que a tua filha te vê como Mãe, não como amiga e muito menos como melhor amiga. Claro que lhe podes dizer o que descobriste, que não gostaste e se se justificar dar-lhe o merecido "puxão de orelhas". És a mãe dela!
Sabes... amigas ela vai ter muitas... a vida encarregar-se-á de as trazer e de as levar. Mãe, ela só te tem a ti!
Beijos


De nofimdoarcoiris a 17 de Janeiro de 2008 às 11:20
Na verdade na minha juventude também fiz tudo isso que me relatas mas tinha uma razão, se não o fizesse não saia de casa, não me relacionava com ninguém e tinha um pavor da minha mãe. Não que ela me batesse, mas só de ouvir o seu tom de censura já me sentia magoada.
Com a minha filha pensei sempre que ela não iria necessitar de recorrer a esses estratagemas porque sempre falei com ela com a maior das calmas sem a censurar, mas mostrando-lhe os caminhos certos e errados e dando-lhe sempre hipótese de escolha incutindo-lhe também responsabilidade na decisão tomada.
Tenho noção de que não sou a sua melhor amiga, no sentido que ela dá à palavra amiga, mas sempre fui a "mãe-amiga".
Agora já passou mais a sensação de desilusão. E isto acabou por me preparar para outras situações que vão de certo acontecer. Como tu dizes, e bem, "faz parte do crescer".
Beijinhos


De cigana a 17 de Janeiro de 2008 às 23:53
Tenho um filho de 15 anos e compreendo-te perfeitamente.
A transparência e a sintonia têm muitas interferências, nesta idade... Eles começam a ter uma identidade e uma privacidade diferentes, que exige uma certa exclusividade. É natural, faz parte do processo de crescimento e de maturidade, o que não significa que não tenhamos que estar alerta. Afinal, mesmo que pudesse, eu nunca teria contado tudo à minha mãe!


De nofimdoarcoiris a 19 de Janeiro de 2008 às 09:27
Tens toda a razão! Mas acho que só agora acordei para essa realidade. Talvez por ter tido uma relação difícil com a minha mãe, que ainda hoje se reflecte, sempre achei que iria conseguir uma grande abertura no relacionamento com a minha filha. E consegui. Ela conta-me coisas que eu nunca teria tido coragem de dizer à minha. Mas na verdade, com o crescimento, ela está a começar a seleccionar o que me deve e não deve dizer.
Obrigada pela ajuda. Não sabes como as palavras dos amigos foram importantes para mim!
Beijos


De Lua de Sol a 21 de Janeiro de 2008 às 02:14
Como disseste o assunto não é grave... Tens consciência disso e de que o que mais te magoou foi ela não "contar" contigo. Pois, eu acho muito natural. Por volta desta idade, como todas as pessoas, começamos a criar aquele "mundo" só nosso, em que mesmo aquilo que não tem nada de mal pode ser tão especial que o guardamos para nós ou para quem nesse "mundo" está envolvido. Faz parte. Depois, temos o factor de sabermos que há coisas que não fazem mal, que nós sabemos distinguir o bem do mal mas achamos que pode suscitar dúvidas aos pais, deixá-los inseguros e por isso mais vale omitir.
Acho que quanto mais longe vão os nossos 15 anos mais nos custa a compreender. E não só: talvez tenhas sentido que nos teus 15 anos não pudesses contar tudo aos teus pais pela sua maneira de ser e que como mãe te tens esforçado por ser mais aberta e compreensiva não vejas necessidade dela fazer isso contigo. Amiga, provavelmente se fosses diferente ela só te contaria 30%, assim conta-te 85%! Mas 15% são dela, independentemente da mãe que és. Esta é a minha humilde opinião. Não tem nada de mal, apenas te magoa vê-la ganhar asas...

O que acho que podes fazer é ir-lhe continuando a dizer que és mãe mas a melhor amiga e que pode contar sempre contigo, sem grandes pressões. Sê "compincha".

Um beijinho


De nofimdoarcoiris a 23 de Janeiro de 2008 às 12:16
Agarrei-me muito à pretensão de ser uma mãe amiga, em quem ela confiava, e em ter uma relação muito diferente da que tive com a minha mãe, e que me marcou profundamente. Consegui!
Agora tenho de ter um bom "jogo de cintura" para enfrentar esta fase da adolescência. E, principalmente, não me deixar abater na primeira dificuldade...
Bjs


De Vi a 22 de Janeiro de 2008 às 20:38
Hmm .. Bem, eu tenho 15 anos [quaze 16 :P] .. E compreendo perfeitamente a sua filha :) E' nasta idade que consederamos os nossos amigos a segunda familia, todos os nossos problemas agora são confiados aos nossos amigos e não aos papas .. Acho que não deve pensar tanto sobre isso, afinal é completamente noramal uma menina de 15 anos esconder coisas dos pais .. :)
Beijinhos *


De nofimdoarcoiris a 23 de Janeiro de 2008 às 12:19
Que bom ter uma "leitora" que entende o problema bem por dentro... Quem sabe não me vais ajudar em situações em que o meu entendimento não encontra soluções...
Beijinhos


De Infiel a 24 de Janeiro de 2008 às 22:15

ja se passou um tempinho desde a tua "desilusão" mas acho que vais ter mais, daí pensar que não te importarás de mais uma opinião, nem melhor nem pior que aquelas que já recebeste e que só te irá fazer nascer um sorriso de confiança, porque TU sabes o que se passou
Aos 15 anos constroi-se o nosso mundo, temos de sentir quem somos, descobrimos tanta coisa e tão rapidamente, contamos por vezes segredos á mãe e não ás amigas, outras vezes as amigas e não á mãe
Faz parte do processo de crescer como ser individual e saudavel
é tua filha, sempre serás sua mãe e uma amiga, basta que ela o saiba e que tu, confies!
Um beijo


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